quarta-feira, 5 de novembro de 2008

MARCO LLOBUS

QUEM É MARCO LLOBUS

Gestor Cultural e Joaquim Nabuco. Pesquisador da Ar-te Popular, Ati-vista da Cena Peri-férica e também a personificação de Deusmanu. Um Guerreiro Xamã que há 37 anos exorciza encantamentos em atuações que podem envolvê-lo num estado de transe. Entidade presente em saraus e saraus. Multifacetado que se desdobra em distintos acontecimentos que permeiam uma bagagem ímpar flertando experimentos musicais, pinceladas, cinema, escultura e teatro. Caminhando com desenvoltura pela arte digital e pela sensibilidade fotográfica... E acima de Tudo, pela POESIA.


PUBLICAÇÕES

* “As Dores de Indaiá nas Memórias de Tapuia” (poesia) / 1ª edição, Rede Catitu Cultural, 2010.

* “Desclassificados” – Jornal Virtual de Poesia.

* “HUS MANO” – fotografia/poesia (mecanismo para difundir algumas informações de pesquisas no campo da cultura popular como: características, falas - filosofia - e fotos de mestres da cultura popular, artistas e de algumas das manifestações populares das Minas Gerais).

* “POETUS” – fotografia/poesia (mapeamento da produção literária dentre artistas e poetas locais).

* “POIETIS(A)” – fotografia/poesia (mapeamento do universo literário feminino).

Além destes trabalhos de resgate e preservação sociocultural, entre os anos de 2001 e 2006, figurou em dois importantes catálogos de literatura contemporânea:

* Catálogo Terças Poéticas dos Jardins Internos do Palácio das Artes / Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais, Suplemento Literário de Minas Gerais, Fundação Clóvis Salgado, 2006, 180 páginas.

* UAI Poético, pesquisando as raízes e veias poéticas / Bêlo Poético Produções Artísticas e Literárias, 2001, 120 páginas.


CONHEÇA O TRABALHO DO AUTOR

Go Back

Fumei um baseado em fotos reais
em ásperas do cotidiano

caí em seda livre
sobre a farfalhar do seco duro

ascendi o inconsciente
pelo trago turvo

subi até o torpor
e dancei nas nuvens

ao acordar da boca seca
a fome da barriga cheia

lariquei o sono aberto
e posei sobre a viagem."


O AUTOR NA INTERNET


- http://marcollobus.blogspot.com/

- http://picasaweb.google.com.br/llobus

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

LUANA AIRES

QUEM É LUANA AIRES

Artista que se pretende múltipla. Quase poeta. Rabisca desenhos. Cantora que transcendeu os chuveiros. No campo da música, participou da banda Chica Feijão (2006), do Grupo Rosa dos Ventos (2007) e atualmente é integrante do Projeto Saravá de música popular. Como poeta, foi uma das convidadas da edição de maio de 2007 do Sarau de poesias da Lagoa do Nado e produziu livros e fanzines independentes. Nas artes plásticas, vem desenvolvendo uma pesquisa a respeito do livro-objeto. Em Belo Horizonte, faz parte do coletivo Kaza Vazia e do projeto ACasa.


PUBLICAÇÕES

* “O livro das ovibiedades” (poesia) / edição artesanal, 2006, 9 poemas avulsos.
* “Infancitude” (poesia) / edição artesanal, 2006.
* “Esconderijo dos poemas tímidos e desconexos” (livro-objeto) / edição artesanal, 2006.
* Fanzine poético “Quase poesias” (poesia) / independente, 2007.
* Fanzine-dobradura “Hoje” (poesia) / edição co-produzida com o poeta Marcos Assis, 2008.
* Série “Estrela Decadente” (quadrinhos) / independente, 2005-2008.
* Coleção Vermes Poéticos - Sociedade Mutuante (poesia) / 1ª edição-SPLIT, 2008, 48 páginas.


CONTATO: aires.luana@yahoo.com.br / luana.nalua@hotmail.com


CONHEÇA O TRABALHO DA AUTORA

breve

hoje estou livre a pássaros.agora vejo formigas iluminando o chão com suas pequenas sombras.

(há pouco, idiotas motorizados ironizaram o falso lirismo desta minha tarde.)
os domingos têm assim um certo gosto de suspiro...
e uma certa e sutil resistência às poesias."


"Estrela Decadente"



A AUTORA NA INTERNET

- http://www.paocomnanquim.blogspot.com/

- www.flickr.com/luana_aires


terça-feira, 29 de julho de 2008

LEO LIMA DINIZ

QUEM É LEO LIMA DINIZ


Poeta marginal que vende seus textos editados em xérox nas ruas e bares de Belo Horizonte.

“É com muito orgulho e satisfação que inauguro a primeira edição da poesia marginal. Intitulo-o assim, porque a produção é tosca desvinculada de endeusamento estético visual.
Marginal é a distribuição que é realizada de mão em mão neste universo urbano da cidade.
O Eu do meu eu-poético curva a atenção a temas que se referem a conflitos existenciais, e sobre essa cruzada norte-americana travada no Oriente descarregado externamente nos poemas, esta guerra iniciada internamente em mim mesmo.
No mais uma boa distração.”


PUBLICAÇÕES

* Universo Urbano (poesia) / Editora Marginal, s/d.
.

CONHEÇA O TRABALHO DO AUTOR

"Estou nauseando um mundo
indigesto com sabor de violência
plástica industrializada sem prazo
de validade.
De atrocidades que me causa vômito
com gosto de comida vencida e nem
engove alivia.
De perversidades que denotam a máxima
podridão humana generalizada.
Na qual o joio se iguala ao trigo, pois
ambos já viraram carniça imprópria
para o consumo de alguns.
Neste circo de horror onde o fogo não
encanta mais, e apenas queima.
Mais um show pirotécnico é exibido
Ao vivo e a cores na TV."

*****

"Indecisão

Para onde vou
Nem sei se quero chegar
Chego ao ponto
De não querer ficar
Onde estou
E daí de que interessa
Partir ou ficar
Do jeito que ando
Não posso parar."

*****

"O ócio depois do almocio é negocio."
(Extraídos do livreto "Universo Urbano").

sábado, 26 de julho de 2008

RICARDO TOKUMOTO

QUEM É RICARDO TOKUMOTO


“ Eu sou um daqueles que já gostava de desenhar desde que me entendo por gente. Apesar de que, na verdade, todo mundo gosta de desenhar quando criança. Eu só não parei. Lembro que já no jardim de infância eu recebia elogios pelos meus rabiscos. E no início do ensino fundamental eu já dizia que queria ser artista. Santa inocência. Era sempre visto como “O Desenhista” da classe. Qualquer coisa ligada a desenho que surgisse logo gritavam meu nome. E tudo que era arte me despertava interesse, mesmo quando eu nem sabia que aquilo era arte. (...) Em Limeira (interior de São Paulo, cidade onde nasci e vivi por muito tempo), existiam inúmeros cursos oferecidos gratuitamente pelo centro cultural municipal. Foi lá onde aprendi a tocar alguns instrumentos musicais, foi lá onde tive meu curso de pintura, fiz oficinas de histórias em quadrinhos, desenho animado, elaboração de fanzines, escultura, teoria da arte, kung fu, tai chi chuan. Enfim, foram tantos cursos que eu nem lembro mais. Eu ia todos os dias da semana (incluindo sábados e domingos). Quase morava lá. Paralelamente a tudo isso, eu já fazia o curso técnico de informática lá no colégio da UNICAMP que havia na cidade. (...) Nessa altura eu já havia me decidido a prestar vestibular em Artes Plásticas. Não me via fazendo outra coisa. Era aquilo mesmo que eu queria. Prestei a primeira vez sem muita bagagem, só com o que eu tinha aprendido pessimamente no ensino médio. Tentei USP e Unicamp, se não me engano. Não passei nas duas. Cheguei até a segunda fase apenas. Estudei, fiz cursinho. Trabalhei na Gráfica Central da UNICAMP em Campinas, onde tive um contato maior com a área de design e editoração. Pude aprender sistemas de impressão e softwares muito úteis. Comecei a imprimir meus primeiros fanzines. Tinha um contexto mais político e ideológico, algo meio “revoltado”. Nele publiquei minhas primeiras tirinhas denominadas “TV Querida!”. Fiz cursinho e tentei novamente o vestibular. Unicamp, Unesp e Ufscar. Novamente fui reprovado nas três. Por pouco não passei. Trabalhei como professor de informática. Fui selecionado no primeiro SALÃO DE HUMORDE LIMEIRA. Comecei a publicar OS DESAFORTUNADOS em um tablóide da cidade chamado “O PIO”. Consegui passar num concurso público para secretário de escola em Limeira. Fui trabalhar na secretaria de uma creche. Prestei novamente Unicamp, Unesp e UFMG, que era a unica faculdade do Brasil com especialização em cinema de animação. (...) Eu não podia ficar o resto da vida sendo funcionário público, mesmo ganhando relativamente bem. E a faculdade de design era bacana, mas ainda não era exatamente o que eu desejava. Meus pais entenderam. Finalmente me mudei pra BH e comecei a fazer Belas Artes na UFMG. (...) Comendo só miojo por muito tempo, consegui juntar uma grana e comprar um computador e uma tablet. A partir daí o RyotIRAS ganhou mais força e se consolidou com postagens diárias. Atualmente, tenho 22 anos e estou no quarto período da minha especialização em cinema. ”


PUBLICAÇÕES

* RYOTIRAS, nº: 01 (coletânea de tiras) / editora Tragicomics, 1ª edição, outubro de 2007.


CONTATOS: ricardo@ryotiras.com / mozaryot@hotmail.com


CONHEÇA O TRABALHO DO QUADRINISTA


(Extraído do blog RYOTIRAS)


O QUADRINISTA NA INTERNET

- http://ryotiras.com/


segunda-feira, 16 de junho de 2008

CAROL LARA

QUEM É CAROL LARA

Jornalista e pesquisadora da dança contemporânea. Mestranda em Estudos Literários pela Faculdade de Letras da UFMG. Participa com freqüência de eventos de poesia organizados por poetas mineiros e comunidade acadêmica. Contribui na curadoria e produção do Quinta Poética na Escola Guignard/UEMG. Edita o fanzine Paideuma, um fanzine-dobradura que busca uma dicção experimental para as múltiplas possibilidades do epigrama.


PUBLICAÇÕES

* Jornal DezFaces, nº 01 - participação na edição de novembro, 2008.
* Paideuma (poesia e imagem) 1ª edição, 2008, formato fanzine-envelope.
* Paideuma (poesia e imagem) 2ª edição, 2009, formato fanzine-envelope.


CONTATOS: (31) 9872 7289 / email: carolara2001@gmail.com


CONHEÇA O TRABALHO DA AUTORA

azul-piscina

a piscina traz o empuxo da água
que escarna as virtudes dos azulejos;
as folhas que caem entre a mágoa
e as estranhas dos percevejos;

e se lá tivesse um pedaço da verdade?
todos os incrédulos nadariam a galope;
com seus estribos amargos de felicidade
como quem recebe um prêmio num envelope;

para aqueles que se secam no molhado
cujo resto forja a inocência culicida;
em meio a margem comunga estraçalhado
com a exatidão e o cansaço quase suicida;

mas todo esse tremor que projeta estentor
sustenta o volume carregado de bolhas-ondas
que sinceras dramatizam em estertor
o que já não mais escorrega e explode”

(Extraído do fanzine “Paideuma”)


A AUTORA NA INTERNET

- http://da-da-nada.blogspot.com/

sexta-feira, 2 de maio de 2008

BANDA ONOMATOPÉIA

QUEM É ONOMATO-PÉIA

Banda empírica Onomatopéia. Formada em meados de 2006 com uma proposta de trabalho independente e uma confecção própria de instrumentos percussivos com material reciclado. A banda expõe uma barroca sonoridade de experimentalismo musical. Com pitadas do jazz, rock progressivo, música regional, ritmos tribais, blues, letras que transitam de Baudelaire à composições próprias. O grupo se consolida num estilo fusion, sem se propor a rótulos, mas com a estigma de laboratório de música. A estréia sonora aconteceu em 20 de abril, na edição 2008 do “Rock in Roça”, em Neves, Minas Gerais. Em breve estarão lançando um CD-demo, 1º registro oficial deste quinteto onírico.

Maroca: vocal / pandeiro / percussão / arranjos / sonoplastia / triângulo / mandingas / tambor
Richard (Rato Branco): guitarra solo / harmônica / flauta transversal / ocarina / backing vocal / mandingas / tambor
Rodrigo (Ser Subterrâneo): baixo / flauta doce / mandingas / tambor
Guido: bateria / percussão / triângulo / guitarra base / berimbau / backing vocal / mandingas / tambor
Wesley: bateria / percussão / triângulo / sonoplastia / backing vocal / mandingas / tambor


CONTATO: (31) 8844-5085 – Maroca / (31) 8809-3072 - Rato Branco / e-mail: richardsabat1@gmail.com


CONHEÇA O TRABALHO DOS MÚSICOS

VENTO (1ª versão)

Rasgo minha boca rouca,
Para derramar provérbios mudos.
Mas Nada escuto.
Cala-me brisa falsa e deprimente,
Nesta manhã de café-ralo e barato
Que pago com centavos amargos e quebradiços.
Quero que o vento lave esta fome fantasma
Este turbilhão de sede seca
Nesta garganta ressecada por falta de palavras maduras
Vento raro,
Opaco.
Por corredores profundos e escorregadios,
Largo meu corpo num precipício nebuloso.
O vento sopra sussurros,
Em meu semblante desfigurado
Alimento-me de Dor disforme
Para me complementar erroneamente
Nos incompreensivos fios do Ar que teço.”

segunda-feira, 7 de abril de 2008

MARCELO CAVALIERI

QUEM É MARCELO CAVALIERI

Marcelo Cavalieri é escritor, ator e multi-instrumentista. Produziu independentemente a maioria de seus livros; compõe e cria músicas. Atuou em filmes (longas e mini-séries), e também de um quadro infantil de con-tação de estórias no programa TVLisão (SP). Integrante da banda mineira "Clandestinos” formada em 2002 em Nova Lima, onde interpreta poesias de sua autoria, além do projeto paralelo "Aquieníginas". Um artista que ao longo de sua carreira vem plantando com sabedoria e simplicidade seu fazer artístico.

PUBLICAÇÕES

* Vale a Pena / Leia e Pire (poesia, 2002)

* Leia e Pire (edição de bolso, 2003)

* O Colecionador de Sorrisos (poesia, 2004)

* Asas da Percepção (poesia, 2005)

* Sem Medo Sem Nada (literatura infantil, 2005)

* Coisas Bacanas (poesia, 2006)

* Manual Poético da Nova Era (poesia, 2007)

* Nova Mente Como Sempre Outra Vez (trava-línguas poéticos entre outras psicodelias, 2007)
*Oráculo Poético (poesia, mensagens, reflexões e pensamentos, 2008)


CONTATO: marcelo@marcelocavalieri.com.br

(31) 3541-5002 / 9132-2551


CONHEÇA O TRABALHO DO AUTOR

“O homem busca, mas não sabe bem onde procurar.
E na maioria das vezes nem o que está a buscar.
Pergunta o que já sabe de cor
por falta de assunto e necessidade de falar.
Entra na conversa alheia
deixando-se influenciar.
Se um assunto não te interessa
então mude de lugar.
Para fazer isso não precisa nem se mexer.
Somente a atenção deslocar.
Volte-a para o aprendizado.
Observe o que existe ao seu lado.
Procure sempre se instruir
para então compreender o que se passa em si”

(Trecho extraído do “Manual Poético da Nova Era”)


O AUTOR NA INTERNET
- Veja o artista contando estórias no programa infantil "TVLisão":

domingo, 6 de abril de 2008

MARCOS ASSIS

QUEM É MARCOS ASSIS

eu sou a umbra
abrigo
no céu
no escuro

tudo isso se esconde em mim
você se esconde em mim
quero de novo o dia!
Quero o dia o dia inteiro!

mas a sombra engole
e eu só sigo
eu sou o rato
no chão
no buraco
escuro

eu só sei
continuo
persigo cego a luz

mas a luz faz sombra

eu sou o rosto
absurdo
no seu a
acariciar

você se volta em mim
e sabe ter eu

tudo isso se perde em mim

eu sou o rastro
me perco
ao te seguir

sou o lastro
no fundo
no fundo


PUBLICAÇÕES

* livro independente e artesanal, sem título

* alguns 'fanzines objetos' (sic) (por falta de rótulo melhor)

* pensamentos esquecidos (fora de catálogo)
.
* Coleção Vermes Poéticos - Sociedade Mutuante (poesia) / 1ª edição-SPLIT, 2008, 48 páginas.


CONTATO: melhor_inimigo@hotmail.com


CONHEÇA O TRABALHO DO AUTOR

"12 SET

todas as datas são iguais
a cria adulta me devora o eu
cobra criada
da vontade do longe
a saudade do que é nunca
saudade de nunca

todas as ruas iguais
os versos iguais
urbanos sorrisos
todo erro me devora eu
saciadada
vontade do novo
a saudade do que é não
saudade de não

toda vontade de novo
pessoa saciada do eu
eu depende das crias
da vontade, da vontade que ela tenha
a vontade da saudade

a lentidão do frenesi das ruas
e de todas as datas que são iguais
que se arrastam no padrão
que tanto faz

que se afastam no padrão
e então tanto faz”


O AUTOR NA INTERNET

- Blog do autor, Portifólio virtual:

quinta-feira, 27 de março de 2008

DÉLIO PINHEIRO

QUEM É DÉLIO PINHEIRO


Em síntese: Délio Pinheiro tem 30 anos. É jornalista há três anos e radialista há quinze. Atua também como assessor de imprensa, em duas cidades do Vale do Jequitinhonha; cerimonialista, na prefeitura de Montes Claros; apresenta um quadro em um programa de TV na retransmissora da Cultura também em Montes Claros, cidade onde reside. É nascido em Serranópolis de Minas. Já lançou um livro de poesias e tem projetos bem adiantados nas áreas do conto, crônica e romance.
Em prosa: Antes de qualquer coisa sou caos. Mas também sou silêncio nas noites regadas a blues. Sou fotografia analógica, sou fusível, sou vinil e filmes em preto e branco. Sou história muito mais que geografia. Sou mil vezes literatura a qualquer tipo de arte. Portanto sou livros, muitos livros. Sou mais livros que cinema. Sou de fazer listas para tudo, menos para fazer compras. Sou vintage e sou saraus. Sou café forte, muito forte, quente e em boa companhia. Não sou água mineral com gás. Sou cheiro de mofo, sou revistas antigas e sou páginas amareladas. Sou fazer poesias nas madrugadas, sou acordar com cara de sono. Não sou dormir com nenhum barulho, que não seja o eco de meus sonhos. Sou finais de semana na roça, mas apenas finais de semana. Sou cachoeira muito mais que praia. Sou apenas o pseudônimo do que pretendo ser, e sou anônimo em minha relativa notoriedade. Sou velocidade. Sou informação. Não sou demonstrações de afeto, embora me farte deles. Sou um eterno aprendiz de violão, que está pousado num canto de meu quarto, como um mausoléu de melodias. Sou hiperatividade cerebral. Gostaria de ser trabalho voluntário. Gostaria de trabalhar menos. Sou começar a malhar, para depois me entregar à ociosidade. Sou viajar. De preferência sem rumo. Mas muito bem acompanhado. Sou Bach, manhãs de domingo, Goethe, Google, Kafka, cerveja gelada, jornais empilhados, papo cabeça, Chico Buarque, cinema europeu, rock, chiado de vinil, Jack Daniels, lojas de conveniência nas madrugadas. Sou as paisagens que vi, as pessoas de cuja companhia desfrutei. Não sou bate-bocas. Não sou cinto de segurança. Sou jornalismo e sou absolutamente apaixonado por essa profissão. Sou cobrir alguma guerra, embora torça para que elas não aconteçam. Sou Minas. Sou Cruzeiro. Sou Clube da Esquina. Sou jeans. Não sou discutir a vida alheia. Não sou horário de verão. Sou água quente no chuveiro em qualquer estação. Não sou fanatismo de qualquer espécie. Não sou protocolos. Não sou formalidades. Não sou inveja. Sou escrever. Sou ouvir. Não sou carne. Não sou carência de nenhuma espécie. Não sou saudade. Não sou fantasmas do passado. Não sou carnaval.


PUBLICAÇÕES

* “Não há rumos, só há rimas - Poesias desvairadas e sonetos imprecisos”- Livro de poesia, lançado pela Editora Unimontes.

* Dezenas de crônicas publicadas na imprensa mineira.

*Finalista no concurso nacional de novos Contistas da revista Bravo!: http://bravonline.abril.uol.com.br/indices/materias/materia_253833.shtml


CONTATOS: deliopinheiro@ig.com.br

CONHEÇA O TRABALHO DO AUTOR

Benícia das latas

Benícia vivia de juntar latinhas. Para ela não tinha tempo ruim. Nem chuva nem sol a impediam de cumprir seu trabalho silencioso, tanto nas ruas fustigando latas de lixo como nos shows que sempre aconteciam naquele bairro boêmio onde trabalhava.
Benícia gostava mais dos shows sertanejos. Era quando se jogava mais latinhas no asfalto e também nos cestos de lixo. Ela também gostava de música sertaneja e algumas vezes se permitia olhar um cadinho para o cantor ou a dupla que se apresentava. E chegava a cantar trechos de “Menino da porteira” e “Rio de lágrimas”, que para ela e para todos era “Rio de Piracicaba”.
Benícia nunca fora a Piracicaba e a nenhum lugar a mais de cinqüenta quilômetros de sua cidade do interior de Minas. Nem quando ela ficara sem fôlego de repente e não havia chá ou ungüento que dessem jeito e seu caso hospitalar foi considerado irreversível, ela quis deixar sua Janaúba. “Se você não for se tratar em Montes Claros você não vai durar nem seis meses”, predissera o médico há quase cinco anos.
Mas Benícia, naquele dia em que recebeu a notícia, não foi buscar a ficha de internação que o médico colocara a sua disposição no posto de saúde de seu bairro. Era carnaval e ela preferiu ir para a Praia do Copo Sujo recolher suas latinhas.
O médico dissera que o coração de Benícia estava quase do tamanho de um balão cheio, desses de festa infantil. Mas Benícia decidiu, em sua humildade silenciosa, que seguiria com seu trabalho até quando Deus quisesse. E aquele foi um carnaval especial. Um número bem maior de turistas invadiu a cidade ribeirinha e espalhou latinhas de cerveja por todos os lados.
De música baiana Benícia não gostava, e era justamente esse tipo de música que animava o carnaval por lá. Ela era do tempo em que as antigas marchinhas comandavam as folias momescas e às vezes chegava a cantar baixinho, pra si mesma, essas canções, enquanto juntava suas latas, coberta pelo manto da invisibilidade dos trabalhos humildes.
No fim das contas, na quarta-feira em que tudo vira cinza, e com uma baita dor nas costas, Benícia faturou quase cinqüenta reais vendendo suas pepitas de latão na usina de reciclagem. Nunca ela ficara com tanto dinheiro no bolso. Neste dia, Benícia comprou um saboroso wafer de morango e para acompanhar se deu ao luxo de comprar uma refrescante lata de Coca Cola.
Benícia então se lembrou que tinha um coração grande, do tipo que só faltava explodir, e sorriu resignada. Ela foi a pé para sua casa no bairro distante e sem asfalto. No caminho se deparou com um menininho sujo e magrinho, que levava consigo um pequeno saco de linhagem, onde colocava latinhas de refrigerante e cerveja que encontrava pelo caminho.
Benícia chamou o menino e jogou a lata de Coca para que ele a guardasse consigo. O menino agradeceu e Benícia seguiu seu caminho, arrotando divinamente seu wafer de chocolate e sentindo pulsar, bem ali, sob suas vestes modestas, seu coração grandão.”


O AUTOR NA INTERNET

Blog: http://www.novoslabirintos.blogger.com.br/


quarta-feira, 19 de março de 2008

ANDRÉ BONFIM

QUEM É ANDRÉ BONFIM

Escritor, músico e ator cearense nascido em 30/08/1984. Tem poesias publicadas pela Câmara Brasileira de Jovens Escritores, nos Volumes 7 e 10 da Antologia Brasileira de Poetas Contemporâneos (2004), com o pseudônimo de Erasmo Antunes; e um prêmio de Campeão Escolar de Poesia – Ensino Médio (2001).
É membro-fundador da banda Aporia, desenvolvendo um trabalho autoral desde 2003. Tem peças e performances escritas e apresentadas desde 2005, ano que participou do Curso Princípios Básicos de Teatro, realizado pelo Theatro José de Alencar e que tem a duração de um ano letivo, concluindo com a montagem coletiva de um espetáculo teatral (Arataca - título do espetáculo de 2005). Em 2007 participou do grupo de teatro, música e poesia Sentistas, apresentando a performance Sarau, ser-eu em diversos espaços (faculdades, escadarias e teatros). Tem graduação em Filosofia pela Universidade Federal do Ceará e atualmente é mestrando em Filosofia pela mesma universidade.


PUBLICAÇÕES

* Poesias publicadas pela Câmara Brasileira de Jovens Escritores, nos Volumes 7 e 10 da Antologia Brasileira de Poetas Contemporâneos (2004)


CONTATOS: em_fim@hotmail.com e em.fin.s@gmail.com


CONHEÇA O TRABALHO DO AUTOR

Monólogo do Erro

Erro.
Erro e repito: Erro.
Erro infinitas vezes seguidas.
Erro nas subidas, nas descidas.
Nas corrompidas rampas duais.
Vós errais também.
Ninguém é santo.
E se é santo, também erra.
Erra na santidade assumida.
Merecida patente do divino acaso.
O sarcasmo?
O sarcasmo também é errante!
Hilariante vida.
Viva o erro!
Soberbo ato de estar sempre correto.
Aberto ao novo.
Ao novo-novo
Novo olhar catatônico.
Platônico amor eterno.
Eterno inferno interno.
Inverno com sol de verão.
Doce colisão de verdades.
Verdade?
A verdade é uma mentira!
Que tira do sério supostos sábios, com seus sábios e loucos discursos vulgares, capazes de procrastinar a aguardada libertação.
A coroação dionisíaca.
Afrodisíaca celebração de elevação espiritual.
Carnal atividade produtiva que me cativa lentamente.
Semente pronta a brotar, a germinar meus caminhos:
Caminhos errantes.
Irrelevantes a minha atenção.
Relação errada rodeada de acertos, de ingênuos apertos de mão.
Da adequação do pensamento à coisa real.
Do real questionamento verdadeiro.
De nevoeiros mentais.
Tão normais... Normais erros... Soberbos erros!
Erros. ”


O AUTOR NA INTERNET

- Blog do autor: http://audiaturetalterapars.blogspot.com/



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